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Psicologa Rosangela Durão de Freitas
Desde: 12/09/2009      Publicadas: 13      Atualização: 17/09/2009

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  12/09/2009
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CONCEITO SOBRE A MORTE NAS CRIANÇAS

UMA BREVE CONCEPÇÃO DE COMO AS CRIANÇAS ENTENDEM A MORTE

CONCEITOS SOBRE A MORTE NAS CRIANÇAS.


KUBLER, (1998) em seu livro abordou os conceitos das crianças diante da morte, para que se tenha consideração em conversar com elas e entender o que elas dizem sobre o assunto.

Até os 3 anos de idade, a criança só se preocupa com a separação. É nesta idade que a criança começa a fazer os primeiros contatos com o mundo, a se preocupar com seu corpo e se sente ameaçada por qualquer coisa que possa destruí-lo. A morte não é um fato permanente para ela.

Depois dos 5 anos de idade, a morte é vista como um esqueleto que vem buscar as pessoas. É atribuída a uma intervenção externa.

Por volta dos 9 anos ou 10 anos, começa a surgir a concepção realista, como um processo biológico permanente.

KASTENBAUM, et al, (1983) dividem a morte para as crianças por estágios.

- Estágio 1: até 5 anos. A criança pré-escolar não reconhece a morte como final, encara a morte como continuidade da vida, morrer para ela, significa o mesmo que continuar a viver; Se alguém morre, nenhuma mudança ocorre, a vida se modifica porque não se pode ver o morto; A criança tende mais a sentir-se aflita pela separação.

- Estágio 2: entre 5 e 9 anos. A criança personifica a morte, a morte é vista como uma pessoa separada, ou a morte é, ela própria, uma pessoa morta.

- Estágio 3: entre 9 e 10 em diante. As crianças mais velhas tendiam a ter claro reconhecimento de que a morte é inevitável, universal e inescapável. Acontecerá a elas também.

PIAGET, (1961) na concepção de morte, as crianças desde cedo já possuem uma representação da morte, que vai evoluindo gradualmente, paralelamente ao desenvolvimento cognitivo.

Dos 5 anos aos sete, as crianças, embora não neguem a morte, são incapazes de separá-las da vida; admitem vida na morte e não compreendem a morte como um processo definitivo e irreversível, podendo o morto tornar a viver.

Dos 9 anos aos 9 anos e 5 meses, a morte já é compreendida como condição definitiva.

Dos 11 anos aos 11 anos e 6 meses, a criança já é capaz de compreender e reconhecer a morte como parte da vida corporal.

KUBLER, (1998) Como as crianças não sabem ainda distinguir entre o desejo e a ação podem sentir muito remorso e culpa com a morte de um de seus pais. Se os adultos, durante este período de perda, não as compreenderem e as repreenderem, elas podem reprimir sua maneira de manifestar o seu sofrimento de perda, o que pode, se transformar num distúrbio emocional futuro.

Entre os adolescentes e os adultos, as coisas não diferem muito. Se no adolescente acrescenta a perda de um de seus pais, torna-se muito difícil suportar. Deve-se ouvi-lo e deixar que exteriorizem seus sentimentos.

"No inconsciente, só se pode ser morto se for inconcebível morrer de causa natural ou de idade avançada. KUBLER, (1998, cap.01,p.07)

"A criança que de raiva, deseja que a mãe morra porque esta não satisfez seus desejos ficará muito traumatizada caso isso venha, de fato, a acontecer, mesmo que não haja ligação alguma no tempo com seus desejos de destruição. Sempre assumirá parte ou toda a culpa pela morte da mãe. É bom lembrar que a criança reagirá do mesmo modo se vier a perder um dos pais por causa do divórcio, por separação ou abandono. A criança, não raro, vê a morte como algo não permanente, quase não a distinguindo de um divórcio, em que pode voltar a ver um dos pais". KUBLER, (1998, cap.01,p.07)

Permitir que as crianças continuem em casa, onde ocorreu o óbito, que participem de tudo o que estiver sendo conversado, discutido, faz com que não se sintam sozinhas na dor, dando-lhes o conforto e luto compartilhados. É uma preparação gradual, um incentivo para que encarem a morte como parte da vida, uma experiência que pode ajudá-la a crescer e amadurecer.

A criança percebe algo de errado quando a morte é omitida, e tende a crescer sua desconfiança nos adultos. Pode perceber que algo mudou, podendo tornar esta experiência traumática; com isto, deixará de acreditar nos adultos por não merecerem sua confiança, e poderá futuramente não se ter mais condição de se entenderem com eles.

KOVACS, (1994) afirma que evitar falar da morte de alguém para a criança, pode ser prejudicial, já que as crianças percebem que algo mudou, como ainda se sentem confusas em relação as suas percepções e não tem com quem confirmá-las, ao invés de se estar protegendo-a, podem produzir mais angústia e confusão.

OYAMA, Thaís (1999) abordou o assunto na Revista Veja , que ensina que contar a verdade para a criança e ao mesmo tempo transmitir segurança, é o melhor remédio para ela lidar de forma natural com a morte; explicar o que aconteceu com delicadeza e clareza, permitir e perguntar à criança se ela deseja ir ao enterro; e informá-la que verá pessoas chorando e que verá um caixão, onde o familiar será colocado e enterrado e que mais tarde as pessoas poderão ir visitá-lo; colocar que ele não sentirá mais dor nem medo.

A criança poderá querer saber se também morrerá um dia, e se os pais também morrerão. O que se pode fazer é explicar que um dia isso poderá acontecer, mas que farão o possível e o que estiver ao seu alcance para preservar a saúde dos filhos e sua própria saúde e a deles próprios.

Ficar atento ao comportamento da criança se ela está regredindo ou perdendo o apetite depois da morte de alguém. A criança pode reagir negando-se a crescer e portanto, morrer também. Se este comportamento persistir necessitará da ajuda de um especialista.

Manter a rotina o mais inalterada possível. Diante da perda, as crianças menores costumam preocupar-se com aspectos concretos como; quem vai buscá-la na escola agora. Nunca se deve obrigar a criança a ir ao enterro ou ficar até o fim, não explicar a causa da morte pois as crianças poderão se sentir culpadas pela relação com pensamentos mágicos; não esconder nem exagerar a dor diante dos filhos; nunca censurar o comportamento da criança como distração, hiperatividade, desorganização. Esses comportamentos poderão estar relacionados à forma de expressarem seus sentimentos de dor, de sofrimento.

Evitar tomar qualquer atitude logo após a morte, que reforce o sentimento de perda da criança, como mudar de endereço, de escola. Isto facilitará que lidem melhor com o luto.


AS PERDAS E O LUTO.

Para BORGES, Márcio (1996) a reflexão sobre a morte, sobre a própria morte e a dos familiares e amigos, pode demonstrar uma boa noção de realidade e de finitude, podendo-se conviver e aceitar melhor as perdas que a vida irá trazer.

O autor fala ainda que os psicólogos dizem que refletir sobre a morte, procurando entendê-la e aceitá-la, faz bem para a saúde mental. Chorar uma perda, ficar por algum tempo deprimido e triste pelo falecimento de uma pessoa querida, pode facilitar a elaboração do luto. Até porque existem muitas outras perdas durante todo o processo de vida.

Para eles e muitos outros autores, o luto faz parte da vida. No começo, custa-se a acreditar que a vida de uma pessoa possa ter chegado ao fim. Sente-se um vazio grande, uma tristeza, acha-se que não mais existirá recuperação .

Quando acontece a morte de uma pessoa, os amigos e familiares experimentam sentimentos de luto e aflição que podem ser profundos e desorganizados. A intensidade do luto irá depender do tipo de relação que se tinha com a pessoa falecida e com sua idade; assim, a aflição passa com freqüência, por uma primeira fase de comoção, com sentimentos de tristeza e com alterações psicofisiológicas das funções básicas, como o apetite e o sono. Algumas semanas depois, entra-se na fase intermediária, caracterizada pela saudade e recordação freqüente da pessoa morta, o desejo de reviver na memória essa pessoa e a vida com ela, o sentimento de que ainda está presente ou ouvindo sua voz, etc.

A intensidade desses sentimentos vai diminuindo com o tempo. Um ou dois anos depois da morte de alguém significativo, entra-se na fase de recuperação e organização, na qual ainda se nota a falta do falecido, mas aceita-se que a vida continua. Entra-se, assim em uma fase de maior atividade, renovando-se antigos interesses e talvez descobrindo outros novos. Algumas pessoas acham, então, reconfortante terem superado uma transição que haviam temido; já outras podem vivenciar a perda de forma mais complexa.

FREUD, (1916) descreveu o luto patológico sendo um estado de melancolia. Coloca o luto como um processo natural do ser humano quando este perde um objeto. È um processo de desvinculação, desligamento gradual, e que deve ser respeitado. É natural que a pessoa sinta desânimo, desinteresse pelas coisas que antes ele sentia algum prazer; esta é uma das suas características no luto. Para ele, o luto seria condição não patológica; já a melancolia, uma forma patológica de depressão.

FREUD, (1916) salienta que o luto é uma reação à perda de alguém que foi importante, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante

O autor segue dizendo que o luto normal é um processo longo e doloroso, que acaba por resolver-se por si só, quando o enlutado encontra objetos de substituição para o que foi perdido Algumas pessoas, produzem melancolia; Para justificar o luto e a melancolia, o autor fez comparações, tentando mostrar o que ocorre psiquicamente com o sujeito em ambos os casos

No luto, há uma perda consciente; na melancolia, a pessoa sabe quem perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. A melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda do objeto que é retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda.

O autor fala ainda sobre o melancólico, que vivencia a perda, não do objeto como no luto, mas como uma perda relativa ao ego. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego como se fosse desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível.

Para MANNONI, (1995) Em alguma parte existe uma identificação com o objeto perdido, a ponto de tornar a si mesmo, enquanto objeto (de desejo), um objeto abandonado.

Segundo GONÇALVES, Mônica (2001) o processo de luto nas crianças está vinculado ao luto dos pais quando estes não possuem condições de elaborar, seus filhos também terão dificuldades.

" A morte representa tanto para a criança doente quanto para os familiares, uma perda, uma separação, um afastamento definitivo. Deste afastamento definitivo decorre o luto que consiste em um processo sadio e gradual de elaboração de perda." GONÇALVES, (2001,p.39)

REZENDE, (2000) acredita que aqueles que acompanham e participam de todo o processo de morrer do seu ente- querido, e que apresentam uma boa relação de convívio com esta pessoa, melhor elaboram o luto.

Diversos autores afirmam que a experiência de luto pela morte de seus ente queridos possui, entre outras, a função psicológica de preparar a pessoa para sua própria morte, ressaltando que o momento da despedida é o momento em que a pessoa que está morrendo necessita de total apoio, espiritual, emocional, humano; necessita de carinho, de um toque, pois este seria o momento de ruptura com o ente querido e é vivenciado de forma única, variando de pessoa para pessoa, dependendo do vínculo que se tinha com aquela pessoa em vida.

REZENDE, (2000) apresentou algumas soluções para diminuir a dor de quem perdeu alguém querido; reagir à dor da perda com ocupações rotineiras, que envolvam gasto de energia e não deixar muito tempo livre para pensar. Mais tarde se verá a necessidade de elaborar esta perda, sendo que estando mais forte, poderá reagir de forma mais fácil para aceitar e lidar com esta situação de perda. A atitude de reagir deve ser assumida de forma responsável pela própria pessoa, e então se verá que com o tempo se pode aceitar melhor. Não sendo dessa forma, deverá se buscar algum tipo de ajuda.

Portanto, existe um período necessário para que a pessoa enlutada passe pela experiência da perda. Esse período não pode ser artificialmente prolongado ou reduzido, uma vez que o luto demanda tempo e energia para ser elaborado.







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